Wednesday, July 27, 2005

O Menino e a Serpente


Acreditar no ser humano.Por que devemos?
O ser humano é falho, falso e mentiroso por natureza.
Odeio o homem.
Odeio ser um homem.
Queria ser um gavião e assim sendo, voaria longe, muito longe das garras malditas dos animais carnívoros e sedentos por meu sangue e minha carne. Pois é isso o que o homem é. Um ser faminto por carne nova. Carne inocente. Intocada.
Antes de tudo acontecer, eu era um menino correndo num campo aberto coberto por flores. Me sentia livre enquanto seguia correndo. Livre e feliz. Seguindo meu percurso só. Mas no meio de tantas flores, vi uma que chamou minha atenção. Parei para pegá-la.
Qual não foi minha surpresa ao abaixar-me e descobrir uma serpente que estava escondida perto dela . A serpente picou-me, eu morri.
Estou só. Depois de tudo o que fiz. De todas batalhas que travei. Estou só. Destroçado. Sou um arremedo do menino que um dia fui.

O amor acabou


"Bem, o amor acabou. Todos os fatos, indícios depõem a favor. É hora de esquecer a pessoa: não há mais espaço nem tempo para o romance. È uma opinião unânime. E, embora toda unanimidade seja duvidosa, acabamos por acatá-la. Afinal, até um motorista de táxi com quem você teve um breve contato e para quem decidiu relatar a sua historia de amor lhe diz: “Esqueça, esqueça...”.
Todos os princípios da racionalidade estão ativados, tudo preparado para implodir o amor que durou digamos 1 ano. Contagem regressiva: 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1, 0 e... nada acontece. Sua mente ainda está ligada àquela pessoa de uma forma obcecada, diria neurótica.
Afinal, quando acaba um amor?
O amor, o verdadeiro, é claro, nunca acaba. Você pode tentar convertê-lo em ódio, indiferença, antipatia, ou seja, existem centenas de técnicas para esquecer que você ainda ama quem não quer mais amar. Todas elas ineficazes. O senso comum (o velho aliado da estupidez) sempre aponta um caminho: o tempo. O tempo nos faz esquecer. E pronto. Como se vivêssemos no futuro. Se viver no presente já é um malabarismo, imagine viver no futuro...
O que realmente está por detrás desse sofrimento que a separação nos provoca é o apego: apega-se a alguém como se esse alguém fosse espelhá-lo para sempre. Mas o “para sempre”, como disse aquele poeta russo, sempre acaba. E o espelho, quando se estilhaça, é claro, provoca ferimentos. Impermanência, sempre ela.
“Amor para todos os seres sencientes”, gritam os budistas no alto do Himalaia. Amor pelo verme, pelo vaga-lume, pelos beduínos, seus camelos e tudo que pulsa. Mas por que cargas d’água direcionamos todo nosso amor a uma só pessoa? Não sei de onde vem essa tradição. Talvez seja cósmica. Aliás, como tudo o que existe na Terra. Mas suponho que o amor por uma só pessoa seja um dado histórico, cultural. Romeu e Julieta. Um corpo só, duas pessoas. Um morre sem o outro. Eis um dos arquétipos do que chamamos amor. Existem dezenas, centenas de outros, mas a base da maioria deles é sempre o apego. A idéia alucinada e vertiginosa de que sem aquela pessoa sua vida não tem sentido. É cruel, mas é nisso que nascemos acreditando.
O apego, ou seja, a falsa idéia de que possuímos algo ou alguém, é, sem duvida, a causa de um tremendo sofrimento que há tempos vem atormentando a humanidade. Quando as luzes se apagam, (e não tenham dúvida: elas se apagam para todos nós), todas as nossas posses e bens materiais somem na escuridão. Cercas, contas bancarias, pessoas, elefantes de circo. Não fica pedra sobre pedra.
O amor está sempre começando e acabando. Como as ondas no mar. Como as nuvens no céu. Porque em tudo e em todos os tempos e lugares a impermanência reina absoluta.
Ignorá-la é o mesmo que sofrer."
( Autor desconhecido)

Meu coração é um vale sombrio


Por que as coisas só dão errado comigo? De onde vem tanta tristeza se tenho tudo para ser feliz?Olho ao meu redor,todos sorriem.Eu também.Pequena diferença:Meu coração é um vale sombrio e gélido.